quarta-feira, 16 de julho de 2008

mais e mais do menos e menos

Te apertavam amistosamente o ombro,
Foi assim que abriu os olhos.

Quando se atentou pra cada detalhe,
Do que refletia no lago,
Viu-se numa sombra espraiada e comprida
Ao som de pássaros voando e crianças brincando.

Que paisagem bela!
Seria esse lugar o tal do paraíso?
Não creio que em tão pouco tempo aqui vim parar.

Pegou o carro e deu partida.
Em cinco minutos, bastou pra ver uma vida
Esfacelando entre rodas de um carro.
Era animal saudável até encontrar seu infortuito.

Seguiu seu caminho...
Afinal, lamenta-se, mas o que há a fazer?
Passaram-se pessoas, nuvens, quilômetros e desprezos.

Sou alguém aqui e lá.

Sou lá e aqui.
Sou eu, você e todos nós.
Somos homens globalizados... oh, que graça!

Afaste-se e vá inovar!
Aproxime-se e venha inteirar!

Tenho uma agonia abafada.
Um sussurro calado, que grita arranhando sua ferida.
Somos lá e aqui.
Somos todos nós, você e eu.

Enquanto seu egoísmo ressalta sua esperteza,
Pego minhas observações e guardo na gaveta.
Quem sabe?

Te apertavam rancorosamente o ombro,
Foi assim que fechou os olhos.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

sem nome e sem sal

Retorne, pode ser que ainda consiga apagar.
Seus passos não mais acompanham seu peso?
Seu peso não mais condiz com suas medidas?
E suas medidas foram feitas de passos?

Então, te suscito dúvidas.
Te provoco e te mostro
O quão obscuras as formas são capazes de ser.
De nada adianta se remoer mais.

Sobram alternativas.
Sons plagiados de canções exaustas.
Murros cansados em ponta de facas.
Cenas invisíveis e belas de tocar.

Só aprecie a dor de não saber.
A interrogação inspira uma vontade de controle?
Ingenuidade é tentar esclarecer o que não é pronto.

Sinceramente, deixe disso...
Se precisar, este é meu telefone.
Saiba que inúmeras cabeças já me afetaram hoje.
Só não seja tarde demais.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

livre-arbítrio furado

provavelmente era por essa mesma data, só que do ano passado. ela fazia escolhas, embora não tivesse a consciência de seu ato. era uma escolha que refletiria para toda a sua vida.

já tiveram a noção dos reflexos que: uma carona despretenciosa, um email, uma conversa com um amigo de um amigo, um cumprimento, um beijo, uma resposta ou até mesmo a falta de uma resposta pode provocar?

ela acorda e opta o que comer, o que vestir e qual música ouvir enquanto segue o caminho para a faculdade. chegando, junta-se a suas companhias. esses amigos influenciam suas ideologias e recomendam livros, filmes, músicas, temas de monografia e caminhos profissionais. pela tarde, começa a estudar, quando resolve procurar fulano que tem uma boa experiência na área. mais tarde, lembra do amigo do amigo, que comentou que também joga squash e que queria marcar uma partida. por meio desse garoto, conheceu aquela pessoa divertida e dona de um gato que ajudou a cuidar na terceira vez em que saíam juntas.

assim, contatava pessoas que jamais pensaria em conhecer. embora algo as ligasse, nada apresentavam como semelhanças aparentes, no entanto isso não importava.

agora, pensava que as escolhas compõem um ciclo vicioso e viciado... uma opção feita no passado condiciona as alternativas presentes e cada decisão atual acarreta a delimitação das futuras.

se se limitasse a essa idéia, cairia no medo e não sairia mais de casa. todavia, lhe interessava mais as indagações e nuances da vida que os inevitáveis desesperos que ela lhe trazia.

somos educados a nos submeter a escolhas únicas. faça classificações, agrupe o que se parece e separe exóticos. um viva à monogamia e à especialização profissional? opções se excluem ou se somam?

enfim, para essa menina, uma coisa era certa... toda essa história de livre-arbítrio é balela. os genes que vc carrega já não me deixam mentir.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

intervalo ébrio

Dê-me uma folha que eu a preencho com garranchos meus.
Dê-me um copo que eu o completo com algum álcool.
Dê-me tempo que eu o ocupo comigo.
Dê-me, para eu poder me esvaziar.

Até resolver me abrir era tarde.
Talvez a questão dos dias não fizesse diferença alguma
Mas isso é coisa pra ficar em incógnita
Pra permanecer na dúvida do que não foi.

Ah, fica calma.
Eu sou calma.
Não percebo o que é pra perceber
Mas tento decodificar sinais pormenores.

Uso a terceira pessoa
Pra esconder minhas aberrações.
Se fosse natural, seriam dados os nomes.
Psiu, que esse desabafo cega!

Ceguei cedo pra chegar casta.
E agora tudo que vejo são papéis falsos.
Dramas doloridos de damas delinqüentes.
Sem nenhuma dó.

terça-feira, 1 de julho de 2008

ré na contramão

Escute falácias e discuta conceitos
Acumule sucessos deselegantes
Seja o rejeitado anti-herói
Porque o que te resta é o que corrói.

Eu sou um que pode ver

Tem o camburão, o cacetete e a chave
Eles te moldam ao seu próprio hospício
Isso é o tão falado comodismo
E ao meu redor, quanta baboseira
Tudo traz canseira.

Eu sou um que pode ouvir

Me acompanham e me interrogam:
Por que fez isso?
Fi-lo porque qui-lo
Uso placas ímpares nos dias pares
O chamo de anseio por novos ares.

Eu sou um que não pode sentir

Nada me comove.
Nem adianta falar de amores platônicos
Nem de meninos que perdem a infância nas ruas.
Fecho meus vidros e meus sentidos
Pra disparar minha arma nesses labirintos.