quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

não é trava, é lógica.

abre. fecha. pisca. abre. solta. fecha. queima. pisca. pisa. assopra. solta. molha. come. queima. grita. arde. pisa. alivia. arde. alivi. grita. come. aliv. molha. assopra. ali.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Pique-pega

Na raça da mãe e no esquecimento do pai
Fez de todos os “ais” um aberto oi
Sempre se perdeu em frases
Nunca se deu tanto a rapazes

Mas o que hoje importa é acordar.
Saudade do cheiro de massinha
Afinal somente na infância é que
Coroas de papel fazem ternas rainhas.

Do pesadelo, acordou suando.
Da responsabilidade, suou frio.
Das pessoas, disse não sou.

Sua desvantagem era sentir,
Fosse preconceitos, músicas, olhares ou mentiras,
Tudo lhe dava um peso excessivo
E conferia um sentido nocivo a cada uma das feridas.

Perdão, mas meus erros são infantis
Como quem não soubesse agir
Com o tamanho e a idade que tem.
Acredite não é nada com maldade.

Quando criança, quebrava copos.
Quando maior, quebrava ossos.
Quando grande, quebra corpos.

Ei, conte com meus ouvidos
Pois bem disse quem soltou:
Feliz não é o homem sem amigos.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Pra dias de pinheiro fajuto

Entre bobices e gracejos
Fiz do meu o seu também.
Quem diria que de um começo tão torto
Surgiria um carinho tão meigo
Cheio de pode ser e horas aquém.

Nasce um dia
E o meu cantinho é com você.
Deita a chuva
E no meu carro tem um b.
Dorme a noite
Quando ainda hei de te ver.

Com nossos risos, abraço o bom de mim,
Noto o quanto o tempo é relativo e
Como uso meus pronomes possessivos,
Ou seja, tudo sobre meu egoísmo.

Engraçado é perceber quão rápido
Um tornou-se dois
Mas que lentidão
De dois jungirem-se em um.

Sem versos finais,
Fica a ser escrito todo o nosso,
que seja ou não permitido.
Mas que por linhas nada racionais há de vir.

Que o pode ser seja sim.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

procuram-se lugares públicos

óh, melhores dias!

tirando o fato de ter uma monografia que não me deixa, ando em dias de festa... e não sei pq, mas nesse tempo ameno e agradável não escrevo tão bem ou não gosto tanto do que ameaço no papel. será que sou mais inteligente quando solteira? será que tenho tendência suícida e prefiro o mórbido ao aprazível? ou será que acho outras coisas mais interessantes a escrever?

bem possível que seja uma combinação desses três elementos e que ainda tenha coisas mais. o fato é que desde o dia em que descobri que minha memória é mais fraca do que eu já sabia, ando mais mais... mais "de boa". conhecer uma "gente" grunge fedida tá me fazendo bem, um bem meio perigoso que disputa tempo com minha vida acadêmica. a grunge é um bem corrosivo, só pra fazer jus ao estilo, né? deve ser...

foi-se também meu aniversário, recebi visitas, ligações, atenções e tudo mais que me fez inflar o ego. acho bom fazer anos e nunca vivi o tal do inferno astral!

passou também uma pergunta que recebeu um mero "pode ser" como resposta. passou um churrasco regado por litros de chope, tequila, vodka e afins... a festa foi tão louca que meu lenço adorou e resolveu ficar por lá... ou alguém fez questão de ficar com ele...

enfim, é por aí... eu realmente escrevo melhor quando sozinha. a burrice da grunge tá acumulando com a minha. rs.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

pra quem acha que felicidade não se compra

gente, hoje minha mãe teve uma saída excelente pra crises de carência. as minhas, em particular.

ao comentar com ela sobre minha oscilação de humor e uma, suposta, bipolaridade que me ataca, ela perguntou o que tinha acontecido, eu disse que nada. acho que resposta melhor eu não podia dar à ela, pra que eu ouvisse um "você ainda tem frutas em casa?". alguém me explica que raios minha carência tem a ver com ausência de frutas na minha alimentação. eu ficar sem comer maçã, não vai me fazer chorar e nem me achar insuportável, sabe? pelo menos, eu não me considero tão louca a esse ponto!

enfim, é do conhecimento popular que conselho de mãe não deve ser contrariado. então, não custa nada tentar, né? vou ali comprar umas pencas de felicidade, digo bananas. rs. ai ai, adoro as soluções simplistas da minha mãe... ou será que ela usou a palavra "frutas" em lugar de alguma outra, ein? hmm, pode ser também.

bom, pra quem sempre discordou do fato de dinheiro comprar felicidade, minha mãe pode tentar te convencer do contrário. cuidado!

minha família só tem gente louca. fato.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

nem parece

sabe quando vc acorda querendo fechar os olhos pro mundo?
em quatro paredes escritas e um teto hermético,
me deixe na bolha particular e só.

forço a dor dos músculos vulgares
pra anestesiar o peito que me aperta, querendo se rasgar.

não acredito e minto.
não te quero e vou.
não apareça e esqueça.
é desse jeito que sou
ou, no mínimo, estou.

no grito, covardes são vencidos.
com elogios, orgulhosos são rendidos.
com desapego, não sei no que me transformei.

é um tanto faz incômodo.
uma indiferença diferente.
a inquietude mestre do ser em pleno nada.

eu quero ver eu voltar.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

reconhecimento e revelações

a partir de uma luz intensa cegante.

num dos ambientes mais abertos que poderia, cresci.
poder-se-ia sentir
havia asas pra alçar vôo?

sempre ofereci colo,
dei conselhos e ouvi.
minha intromissão age por meus olhos.

me perco em pensamentos.
nunca ninguém me ensinou a fazer escolhas.
estendo a mão, mas não a prometo a ti.
meus lances de tinta são em preto e vermelho.
vire-se, pois meio-tom não tem aqui.

de silêncio, ciúmes e passado fiz, mas não esqueci.
nunca te falei que era paciente.
só sincera o bastante pra assumir
de boa moça, fica só a aparência.

não precisa susto.
cada um é o que reconhece no outro.
já pensou se eu impressionasse tanto quanto
50 quilos de uma tal estátua de ouro?

domingo, 31 de agosto de 2008

a torto e a direito

Olho em volta e vejo minha mãe
Nela há todos os melhores e mais calorosos desejos.
Gostoso, só quem recebe sabe.

Olho em frente e vejo...
Um corredor cheio de portas.
Esperam por mim.
Esperam o momento em que sejam abertas.
Como se o toque virasse oportunidade.

Coragem seria a audácia de se dar.
Audácia daria a aventura da coragem.
Em momentos de asas fechadas, ouse.
Faça diferente e enfrente paradigmas.

Construir sobre tijolos edifica monumentos.
Desconstruir parte de dogmas pode edificar idéias.
Seja seu lado dual.
Conheça sua ambigüidade e viva-a.

Admiro imagens de famílias em parques.
Mas não tiro a beleza do caminhar punk de um ‘do it yourself’.
De igual forma, acho linda a indecisão de um ex-eterno-amor.
O que falar de um grito por Stella então?
Oh, she broke away

Resulto do contato entre o esquerdo e o direito
Entre o torto e o direito.
Me perderia em mim, se tivesse a graça de um gênio.
Mas em vez de meio, sou meu fim.
Um fim e vários caminhos.

Sigo com minhas mãos soltas
Que só queriam te-abraçar-te.
Distorções enganam e emocionam.
Capaz da visão racional, prefiro arriscar o incerto.

Sem certeza há menos regras.
Andar sem previsão ajuda o plural.
Amarras dificultam, ao mesmo tempo, trazem segurança.
Só segurança...
Seria, em dia de calor, nem ter brisa pra soprar seu rosto.

Quero pegar o que é meu, amo, portanto.
Tome consciência de sua linha tênue.
Ser o equilibrista de si é ter única certeza...
Em vida, não há rede para as quedas.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Fusão das partes

Como é gostoso o sabor das superações. Como é deslumbrante sentir orgulho, sem perder de vista o próximo obstáculo. Crescer dói, pensar requer habilidade e reações não admitem repetição do passado.

Em fase de ajustes, me sinto mais resolvida. Mesmo que tudo esteja pendente na minha vida, como que esperando o passar dos dias e as minhas respostas frente às cobranças. O resultado talvez só possa ser percebido por mim, mas não acredito. Somos influência um dos outros. Absorvo criticamente seus julgamentos de valor e capto de forma latente o julgamento da realidade, que, de certa forma, é senso comum social.

Em constante interação/conflito social, movimentos minoritários buscam sua inclusão, mediante a afirmação de suas diferenças sob um prisma igualitário. Afinal, qual a finalidade dos direitos humanos? Não seria a equiparação das minorias? Qual a amplitude de conceitos como dignidade da pessoa humana, igualdade e liberdade?

Cuidado com aparências, amigo. Nem tudo o que parece é, e quase tudo que é requer uma segunda análise, mais aprofundada. Não acredite em propostas barganhadas e lute por conquistas legítimas, que reconheçam a diversidade e pluralidade da sociedade moderna.

Somos o todo e que isso não se confunda com mera soma das partes. Além, somos a fusão entre as partes e que isso se confunda com o reconhecimento das diferenças e igualdades.

(Êêê! Depois de um jejum, voltei a escrever. Enquanto penso minhas loucuras que busco fazerem um sentido, desenferrujo minha mão.)

quarta-feira, 16 de julho de 2008

mais e mais do menos e menos

Te apertavam amistosamente o ombro,
Foi assim que abriu os olhos.

Quando se atentou pra cada detalhe,
Do que refletia no lago,
Viu-se numa sombra espraiada e comprida
Ao som de pássaros voando e crianças brincando.

Que paisagem bela!
Seria esse lugar o tal do paraíso?
Não creio que em tão pouco tempo aqui vim parar.

Pegou o carro e deu partida.
Em cinco minutos, bastou pra ver uma vida
Esfacelando entre rodas de um carro.
Era animal saudável até encontrar seu infortuito.

Seguiu seu caminho...
Afinal, lamenta-se, mas o que há a fazer?
Passaram-se pessoas, nuvens, quilômetros e desprezos.

Sou alguém aqui e lá.

Sou lá e aqui.
Sou eu, você e todos nós.
Somos homens globalizados... oh, que graça!

Afaste-se e vá inovar!
Aproxime-se e venha inteirar!

Tenho uma agonia abafada.
Um sussurro calado, que grita arranhando sua ferida.
Somos lá e aqui.
Somos todos nós, você e eu.

Enquanto seu egoísmo ressalta sua esperteza,
Pego minhas observações e guardo na gaveta.
Quem sabe?

Te apertavam rancorosamente o ombro,
Foi assim que fechou os olhos.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

sem nome e sem sal

Retorne, pode ser que ainda consiga apagar.
Seus passos não mais acompanham seu peso?
Seu peso não mais condiz com suas medidas?
E suas medidas foram feitas de passos?

Então, te suscito dúvidas.
Te provoco e te mostro
O quão obscuras as formas são capazes de ser.
De nada adianta se remoer mais.

Sobram alternativas.
Sons plagiados de canções exaustas.
Murros cansados em ponta de facas.
Cenas invisíveis e belas de tocar.

Só aprecie a dor de não saber.
A interrogação inspira uma vontade de controle?
Ingenuidade é tentar esclarecer o que não é pronto.

Sinceramente, deixe disso...
Se precisar, este é meu telefone.
Saiba que inúmeras cabeças já me afetaram hoje.
Só não seja tarde demais.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

livre-arbítrio furado

provavelmente era por essa mesma data, só que do ano passado. ela fazia escolhas, embora não tivesse a consciência de seu ato. era uma escolha que refletiria para toda a sua vida.

já tiveram a noção dos reflexos que: uma carona despretenciosa, um email, uma conversa com um amigo de um amigo, um cumprimento, um beijo, uma resposta ou até mesmo a falta de uma resposta pode provocar?

ela acorda e opta o que comer, o que vestir e qual música ouvir enquanto segue o caminho para a faculdade. chegando, junta-se a suas companhias. esses amigos influenciam suas ideologias e recomendam livros, filmes, músicas, temas de monografia e caminhos profissionais. pela tarde, começa a estudar, quando resolve procurar fulano que tem uma boa experiência na área. mais tarde, lembra do amigo do amigo, que comentou que também joga squash e que queria marcar uma partida. por meio desse garoto, conheceu aquela pessoa divertida e dona de um gato que ajudou a cuidar na terceira vez em que saíam juntas.

assim, contatava pessoas que jamais pensaria em conhecer. embora algo as ligasse, nada apresentavam como semelhanças aparentes, no entanto isso não importava.

agora, pensava que as escolhas compõem um ciclo vicioso e viciado... uma opção feita no passado condiciona as alternativas presentes e cada decisão atual acarreta a delimitação das futuras.

se se limitasse a essa idéia, cairia no medo e não sairia mais de casa. todavia, lhe interessava mais as indagações e nuances da vida que os inevitáveis desesperos que ela lhe trazia.

somos educados a nos submeter a escolhas únicas. faça classificações, agrupe o que se parece e separe exóticos. um viva à monogamia e à especialização profissional? opções se excluem ou se somam?

enfim, para essa menina, uma coisa era certa... toda essa história de livre-arbítrio é balela. os genes que vc carrega já não me deixam mentir.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

intervalo ébrio

Dê-me uma folha que eu a preencho com garranchos meus.
Dê-me um copo que eu o completo com algum álcool.
Dê-me tempo que eu o ocupo comigo.
Dê-me, para eu poder me esvaziar.

Até resolver me abrir era tarde.
Talvez a questão dos dias não fizesse diferença alguma
Mas isso é coisa pra ficar em incógnita
Pra permanecer na dúvida do que não foi.

Ah, fica calma.
Eu sou calma.
Não percebo o que é pra perceber
Mas tento decodificar sinais pormenores.

Uso a terceira pessoa
Pra esconder minhas aberrações.
Se fosse natural, seriam dados os nomes.
Psiu, que esse desabafo cega!

Ceguei cedo pra chegar casta.
E agora tudo que vejo são papéis falsos.
Dramas doloridos de damas delinqüentes.
Sem nenhuma dó.

terça-feira, 1 de julho de 2008

ré na contramão

Escute falácias e discuta conceitos
Acumule sucessos deselegantes
Seja o rejeitado anti-herói
Porque o que te resta é o que corrói.

Eu sou um que pode ver

Tem o camburão, o cacetete e a chave
Eles te moldam ao seu próprio hospício
Isso é o tão falado comodismo
E ao meu redor, quanta baboseira
Tudo traz canseira.

Eu sou um que pode ouvir

Me acompanham e me interrogam:
Por que fez isso?
Fi-lo porque qui-lo
Uso placas ímpares nos dias pares
O chamo de anseio por novos ares.

Eu sou um que não pode sentir

Nada me comove.
Nem adianta falar de amores platônicos
Nem de meninos que perdem a infância nas ruas.
Fecho meus vidros e meus sentidos
Pra disparar minha arma nesses labirintos.

terça-feira, 24 de junho de 2008

geração das banalizações

vou tentar escrever aqui todos os dias, pq como me disse um grande amigo, o dan, pra se compor músicas tem de pegar prática e pra pegar prática... só escrevendo todo dia, seja lá o que for. mas enfim, não tenho pretensões musicais aqui não! rs. quero só exercitar meu raciocínio e esclarecer situações que, pra mim, possam parecer problemáticas ou desafiadoras... ou seja, é um mero desabafo.

mas parando pra pensar, vejo que cedi mais ainda à sedutora banalização de tudo, que tanto faz parte do nosso cotidiano. afinal, o que ainda não banalizamos? o sexo foi um dos primeiros, as fontes de informação já eram tb, a música seguiu a onda mais tardiamente, mas foi junto.

não estou recriminando essa 'fácil disponibilização' de praticamente tudo, pq ainda não compreendo o alcance ou o estrago disso, mas, certamente, é um assunto que pede um pouco de reflexão.

e ao mesmo tempo que eu suscito reflexão sobre a banalização... banalizo a exposição das minhas próprias reflexões... muito bom, livia! ok, sempre soube que sou contraditória e vivo bem ainda.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

noite de estréia

pensei... já que tenho o hábito de escrever, porque não criar um blog?

considerando que meus textos todos têm uma pitada auto-biográfica, minha intenção aqui é compartilhar a forma como penso e trocar idéias com outros 'blogueiros'. quem sabe essa iniciativa não me torne um pouco menos introspectiva, não é mesmo?

bom, vamos começar falando de amenidades, ok? alguém mais aqui está em mudança de rotina? está preenchendo lacunas? está em momentos de decisões severas? é, definitivamente, falar disso não é tratar de amenidades rs.

ultimamente, estou encarando uma fase dolorida, que eu vejo como impulso para aprendizados e conquistas. vamo que vamo! afinal, reflexões há de servir para trazer crescimento, só não vale baixar a bola, rapá!